terça-feira, 19 de julho de 2011

Fala, bro.

Então, Di Melo é sensacional. Me fisgou e deve me levar para um terreno que pouco exploro, justamente esse que você falou de Cassiano e Tim. E mais umas coisas desse soul brasil, com samba-rock, por aí. Sugere algo? Mas de volta ao álbum dele, aquela abertura com Kilariô foi arrebatadora - não tem como não balançar ali - e o disco segue muito bem. Tem até um tempero de Piazzolla em Sementes. Viu?

Aguardemos o documentário.

Isso me leva a pensar no benefício da internet: li a ótima matéria do Calbuque (clap clap clap para ele) e já tinha o disco minutos depois. Sim, você rebateu bem, mas não é muita coisa toda hora? O que me leva a responder sua pergunta: me sinto soterrado também, com muita coisa para ouvir e uma bagunça sempre precisando de arrumação. É muita música. E para nós, naturalmente melomanos, a busca é sem fim, cada vez mais. E vez ou outra, lembramos de algo que já ficou pra trás. Como agora lembrei da Maíra Freitas.

Você viu o novo do Mario Adnet? Saiu uma sequência do Jobim Jazz. Serei sincero, Tex, a minha primeira reação foi: pourra, de novo?

Veja bem, comprei o disquinho para o meu irmão, de presente de aniversário, e soou ótimo, classudo, de extremo bom gosto. Trabalho gráfico bonito. Mas tinha como não ser?, com os melhores músicos do ramo, a música do Tom e o toque do Adnet. Sinto que às vezes há uma coisa meio deja vú na música brasileira. Talvez seja o meu eu roqueiro, meio ranzinza, falando mais alto. Vou pegar o cd e jogar no iPod.

E o Seu Jorge? É chato? Ou carrega essa pecha meio injustamente?

Não ouvi o álbum novo, nem o anterior, não é uma coisa que eu consuma, mas, assim, gosto do Seu Jorge. Conheço os hits. Acho que ele tem seu valor. Apenas penso que aquele show com a Ana Carolina foi uma escorregada monumental para uma boa carreira. Manchou. Vejo o povo aí detonando o cara, mas Burguesinha e o novo Músicas para Churrasco são coerentes com São Gonça e aqueles temas do único - uma pena, vale dizer - disco do Farofa Carioca, embora o trabalho do grupo seja mais interessante.

Está no pós-obra? Já voltou a ouvir música?

E o novo do Chico?

Abração,

Nóimaier

ps.: uma lista sem Thriller e Sledgehammer não merece nem atenção. E ainda deve ter um Radiohead nas cabeças para completar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Neumayer,

Vergonha máxima este atraso. Parece que estamos nos comunicando nos tempos das caravelas, com aqueles delays enormes -- culpa minha, óbvio. Na real, não tenho tido tempo sequer de ouvir música. Finda a obra, estou me mudando de volta pra casa, o que tem consumido meu tempo.

O que me remete à tarefa que cumpri no último fim de semana, de tirar todos os discos de dentro do armário e empilhar na mesa da sala, enquanto não chegam as torres de CDs que encomendei. Parafraseando Caetano em seu "quem lê tanta notícia?", digo eu: quem ouve tanta música? Rapaz, tem disco que nem saiu do plástico. A ideia é me livrar de pelo menos um terço, não sem antes jogar para um HD externo uma boa parte. Você aí também se sente soterrado em meio à sua discoteca?

Você viu a lista da New Music Express dos cem melhores clipes da História? Sei que lista serve pra ser detonada, mas, pombas, uma lista dessa sem Thriller, do Michael Jackson, e Sledgehammer, do Peter Gabriel, não existe. Ressalte-se: não é que eles estejam na lista, mas eu não concorde com as suas posições. Eles simplesmente não aparecem! E você, tem alguma listinha de clipes preferidos?

E o Di Melo, hein? Por onde o Imorrível andava, meu Deus? Um som por ali entre Tim Maia do início da carreira e Cassiano (mais Cassiano do que Tim, acho). Irresistível.

Tento me lembrar de algo novo ou interessante que tenha ouvido desde a sua última missiva, e a verdade é que não me vem nada além de Di Melo. Espero tirar o atraso depois que voltar pra casa.

Na próxima correspondência, levanta uma bola que eu corto. Mas tá difícil te apresentar alguma novidade.

Bração,

Rafa

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ralf,

Joshua Redman foi realmente irresistível, como você disse. Fui meio de turista, não sou muito por dentro da carreira dele, apenas do Wish, que peguei recentemente. E achei ótimo. Lá no palco, o cara me conquistou. Primeiro, o formato curioso, sem instrumento harmônico, né? Isso é algo difícil e ousado. Só baixo, a batera e ele, ali no sax. Foi demais. E aquele lance que ele fez mais pro fim do set? Uma espécia de beatbox na palheta do instrumento. Foi deep, como diz Ed Motta. Sem contar a energia dele no palco, se contorcendo, puxando aquelas notas de um lugar que só ele sabe. No fim do show, chega um sms do meu pai - que estava em outro lugar do teatro: por que não deixaram o cara ir ao banheiro antes de entrar no palco? Ha ha.

Wayne foi o que você disse. Acho que saímos com a mesma impressão. Mas teve algo, foi bonito, talvez fique melhor com o tempo, na memória. Como disse lá no Som Imaginário, aquela coisa da música meio suspensa, solta, me deixou também meio suspenso, solto na cadeira, disperso. Em alguns momentos eu me cobrava atenção, como se estivesse numa aula de matemática da quinta série.

Pulando para a segunda noite, sim, Marcus Miller bateu. Sou baixista, bissexto, mas sou, e acho que já falei aqui do dia que descobri o som dele e pirei. Não queria saber de outra coisa. Ver o cara ao vivo foi do cacete. O que foi aquele momento em Jean Pierre? Pulei da cadeira! Aliás, não sabia que aquela melodia tem origem em uma música de ninar tradicional francesa. Miles, espertamente, pegou a melodia e foi em frente. Algo assim. Depois me aprofundarei, mas é interessante.

O tecladista, discreto, tinha uns timbres meio cafonas, 80s, mas gostei disso. Enquanto, no lado esquerdo do palco, aqueles três eram três crianças tocando o terror. Alex Han, Sean Jones e Louis Alvin Cato foram um show à parte dentro da apresentação do Marcus Miller, que, no melhor estilo Miles, soube aproveitar bem o talento dos garotos.

Foi o melhor show pra mim. Você acertou. Mesmo faltando Backyard Ritual, minha favorita do Tutu.

Sharon foi dez. Um furacão. Tina Turner com James Brown. Energia sobrando. Temperatura lá em cima. Voz impecável. Foi isso e muito, mas muito mais. Mesmo assim, cheguei ao fim da apresentação meio cansado daquilo tudo. Já estava meio over nos últimos vinte minutos. E aí vi que aquela intro, que soou enorme, não foi tão divertida como imaginava, o que acabou fazendo com que ficasse, no saldo final, levemente desnecessária. As backings precisavam mesmo de um número solo cada?

Sei lá, não curti.

Mas chega de resmungar. Que venha o BMW Jazz Festival ano que vem. Essa edição foi demais. Uma pena não ter vindo o Tord Gustavsen Trio, que tocou em São Paulo. Vale um youtube.

Não paro de ouvir uma banda chamada Dear Hunter. Olha que interessante a história do Color Spectrum, novo trabalho deles: são 9 EPs, com quatro músicas em cada, e cada um de uma cor, que dita o caminho das músicas. Por exemplo, o preto é meio denso, com umas guitarronas, meio heavy; o laranja puxa para um rock mais 90; o verde é mais folk, cheio de violões; o amarelo pega a onda dos Beach Boys; o violeta é meio musical, pomposo, com cordas. E por aí vai. Criativo e bonito.

Fico por aqui.

Bom feriado.

Abração,

Neuma

sábado, 18 de junho de 2011

F.,

Direto ao ponto, desenvolvendo um pouco aquilo que falamos pessoalmente ou por Gtalk ao longo da semana: valeu muito a edição carioca do BMW Jazz Festival. Mas vamos por partes.

Na primeira noite, Joshua Redman se comunicou mais comigo -- e, a julgar pelas reações da plateia e pelo que li na imprensa, foi assim com a maioria. O baixista, Reuben Rogers, era de primeira linha, mas quem me chamou a atenção mesmo foi o baterista, Gregory Hutchinson, meio Art Blakey, guardadas as devidas proporções. Me agradou o formato enxuto, a seleção dos temas, indo de um certo orientalismo -- ouça de novo Ghost -- a um post-bop mais enérgico -- East of the Sun (And West of the Moon) --, os instrumentos se entrecruzando às vezes de maneira intrigante, com andamentos descolados, mas tudo muito atraente, irresistível, sem causar a menor rejeição. 

Rejeição, aliás, foi o que eu vi em boa parte do público durante a apresentação do Wayne Shorter. Hordas de pessoas indo embora. É aquilo que já te falei: ambos são letais em suas respectivas artes, mas enquanto Redman é um ninja, Shorter é um samurai. Exige adesão, entrega do público. Não é um cara que te pega pela mão. Quando embarquei na onda, percebi beleza genuína, uma expressividade original, uma imersão das mais profundas na música em seu sentido mais amplo. Mas, às vezes, apesar disso, os temas eram meio longos demais para mim, e confesso que perdi o fio da meada em alguns momentos. Não que eu ache que seja culpa do público, aquela reverência meio babaca de que "você está diante da arte mais sofisticada e não alcançou porque é um idiota". Comunicação é um exercício de parte a parte (o show de Marcus Miller, na noite seguinte, é prova incontestável disso). Mas há críticas que acho tolas. Por exemplo, aquela que diz que ele não sopra como antigamente. Pombas, o cara é um octogenário! Não deve correr, subir escada ou trepar como antigamente. Por que deveria soprar? Ouvi essa mesma bobagem depois de um show do Sonny Rollins, em idade igualmente avançada, numa das edições do finado TIM Festival. Dá vontade de bater.

No dia seguinte, Marcus Miller, que foi aquilo que todo mundo viu -- e vou deixar para você falar, já que, suspeito, deva ter sido o melhor show dos quatro, na sua opinião.

E Sharon Jones, avassaladora. Difícil comentar algo que já não tenha sido falado, mas devo dizer que eu achei ainda melhor do que esperava. Você disse que, mesmo tendo achado o show ótimo, te cansou um pouco a mesma fórmula repetida por duas horas. Entendo, mas não tive a mesma sensação. Pelo contrário, aceitaria mais algumas doses. Imagino que tenha sido porque assisti em pé, dançando, enquanto você estava na poltrona. Faz diferença. É um show dançante, acima de tudo -- o que foi dito pelo guitarrista ali na introdução, antes que a cantora entrasse no palco. Imagine aquilo no Circo Voador, num sábado à noite, todo mundo com uma cervejinha na mão. Deu pena da Amy, cara.

Depois disso tudo, quase esqueci da sua pergunta da carta passada, sobre o Queen. Sim, gosto -- já escutei bem mais, mas continuo gostando. Há quem não goste? Gente mais infeliz.

Bração,

R.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tex,

Passando rapidamente para não deixar sua carta pra trás.

Começo concordando com duas coisas: a superexposição da Gadu cansou (muito) a imagem e a música dela; e a Sharon Jones faz soul e é isso, como você disse.

Essa coisa de música no repeat é ótima. Tenho muito. A dessa semana é Girl, You'll Be a Woman Soon, do Neil Diamond, na versão da trilha do Pulp Fiction, com o grupo Urge Overkill. E é exatamente o que você disse - concordando novamente: a música não precisa ser a oitava maravilha do mundo, basta ter isso que nos faz deixá-la no loop. É inexplicável.

Tumbling Dice, dos Stones, foi outra que ficou dias quando descobri.

Estou naquela época de ouvir pouca coisa nacional, tenho caminhado pelas trilhas do John Williams; também pesquei Speak No Evil, do Wayne Shorter, que você deve ter coisa pra falar; e, dos nossos, ontem fui até Bethânia cantando Robertão. Me amarro nesse disco. Tem um repertório impecável, ótimos arranjos e talvez a minha voz favorita das cantoras brasileiras. Uma amiga me mostrou uns cantores italianos cantando Roberto e era coisa fina. Depois pego os nomes.

Bati aquele papo com Ed Motta e foi ótimo. Falamos um pouco da pauta que me levou lá na casa dele - Billy Harper, por conta do BMW Jazz Festival - e depois saímos por outros assuntos como Ennio Morricone, Moacir Santos, Led Zeppelin. Preferidos que temos em comum. E também coisas que ele não gosta, como Rush e Queen, para citar dois. O primeiro já falamos aqui. E o segundo? Freddie Mercury - opa, pera aí - te fisga?

E, sim, a coleção do cara é uma coisa mega!

Abração,

Éfe Neumayer

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Neumayer,

Começando pelo fim: Bizarre Love Triangle é uma daquelas músicas que eu seria capaz de ouvir indefinidamente, no repeat. É engraçado, porque isso não significa que essas músicas sejam necessariamente boas. Muitas vezes são, mas não é disso que se trata -- elas simplesmente entram fácil no meu ouvido, sem enjoar. Crazy, do Gnarls Barkley, é outra. Head Over Heels, do Go-Go's (que, aliás, estou escutando neste exato momento), também. Don't You (Forget About Me), do Simple Minds, outra. Você vai achar estranho, mas What's My Name, do Snoop Dogg, é outra. Cantaloupe Island, do Herbie Hancock (que gerou Cantaloop (Flip Fantasia), do US3), idem. E há mais...

Herbie Hancock, aliás, não sei se já te contei, foi um dos points of no return para a minha entrada no mundo do jazz. Eu era moleque, e adorava -- como todo mundo -- quando tocava Cantaloop (Flip Fantasia) nas festinhas. Achava a música duca. Um belo dia, estava eu numa festa no Iate Clube. Na área externa, longe da pista, tinha um bar e um telão onde passavam uns clipes. Não me pergunte porque diabos fizeram isso numa festinha de adolescentes, mas o que eu sei é que, de repente, entrou um clipe do Herbie Hancock tocando Cantaloupe Island. Bicho, foi uma iluminação. Inicialmente, eu não entendi muito bem, fiquei confuso com relação a quem teria chupado a ideia de quem. Quando a ficha caiu, eu já estava fisgado.

Dois discos rodaram aqui em casa por esses dias. Um bem bonito, do Chico Adnet (irmão do Mario, pai do Marcelo), chamado Alma do Brasil. Merece mais audições antes que eu fale qualquer coisa. E o outro foi o registro do show de Caetano Veloso e Maria Gadú, que tem seus momentos. O primeiro CD (o disco é duplo) é indiscutivelmente melhor, com eles em duo desbravando um pouco de um repertório ao qual Caetano há muito não voltava -- O Quereres, Rapte-me Camaleoa, Vaca Profana... No segundo CD, principalmente na parte em que Maria Gadú canta sozinha, a peteca cai. Tenho a impressão de que é efeito da superexposição. De fato, a moça começa a cansar -- se é que já não cansou. Um único álbum de estúdio e sei lá quantos CDs e DVDs ao vivo, fora as participações em trabalhos de outros...

Só pra não deixar sem registro, Paul McCartney foi incrível, de novo. E, desta vez, sendo o Engenhão bem menor do que o Morumbi, deu pra ver mais de perto. O fato de ter sido a segunda dose foi bom para ter uma noção melhor do show como um todo, observar os músicos e tal. E concordo contigo: essa turma que diz que a banda é só o.k. talvez diga que Ringo é um baterista apenas correto. Releve, releve.

E o BMW, hein? Tô animado, principalmente com Sharon Jones -- que, aliás, deu uma entrevista acho que pra Rolling Stone, dizendo que não faz parte desse revival do soul. Teve gente que achou meio arrogante, mas eu entendo o que ela quer dizer. Pombas, ela não é dessa geração nova que revisita a soul music. O que ela faz é a própria soul music. Não acha?

Aliás, isso me remete a Amy Winehouse, que, pelo que li, já finalizou o terceiro disco. Mas o povo da gravadora não quer lançar enquanto ela não termina a rehab. Aguardamos ansiosamente.

Ouvi o Jamie Woon, e achei, sei lá... comme cicomme ça.

Vamos que vamos.

Bração,

R.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Tex,

Paul foi dez. Sem o impacto da primeira vez, claro, que foi forte, mas com aquele bom gosto de segunda dose. Tem um clima, uma vibe, que não tem erro, e dessa vez foi melhor, pois estava na companhia de grandes amigos e meu pai. E Rio de Janeiro, né? No Globo hoje, Carlos Albuquerque disse que a banda é correta, assim como alguém na Folha havia falado na época dos outros shows. Discordo. Acho a banda ótima, jovem, com uma presença na medida e precisa. Gosto muito. Não tem muito o que falar de repertório, né? Mas - dentro da previsibilidade do set list - senti falta de My Love, que vimos em SP. A abertura com Hello Goodbye foi uma surpresa das boas. E gosto de destacar Sing the Changes, do projeto dele Fireman, que conheci no show de SP e é ótima.

Pulando para o duo Tears for Fears.

Cara, escuto a banda desde o berço. Minha mãe sempre ouviu, é fã dos caras. Quando mais novo eu acha a voz do Orzabal um saco, mas depois, quando comecei a me ouvir música mesmo, fiquei fã da música deles. Acho uma das melhores coisas dos anos 80. São discos de uma musicalidade muito acima do que era feito na época. Tem um cuidado especial ali com aquelas composições, na minha opinião. Não perco o show, assim como o do Clapton, que não vi naquela turnê dez (?) anos atrás.

Comprei, por esses dias, um dvd do tias fofinhas. Tem um documentário sobre o discaço Songs from the Big Chair e também um show, acho que do fim dos anos 80. Ainda não tive tempo para dissecá-lo, mas promete.

A trilha do dia é um cara chamado Jamie Woon, uma amiga mandou e fiquei hipnotizado pelo som. Dei o play inúmeras vezes hoje O nome da música é Night Air e é bem interessante, mas não sei se é da sua praia. Tem uma base programada, levemente eletrônica, mas com um toque meio ambient, com arranjos espertos, com espaços, silêncios, e a voz do tal Jamie Woon é o grande pulo do gato. Ele tem uma forte onda do soul e um falsete daqueles. Vale o youtube.

Também tenho colocado no repeat Bizarre Love Triangle, do New Order, e tentado ver o que faz a música ser tão incrível. É um daqueles casos onde o compositor atingiu o mais próximo da perfeição na ideia. Não é por aí?

Abração,

Neuma

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Zé Neumayer,

Prometi manter o ritmo veloz das correspondências, mas a obra e alguns frilas me consumiram. Enfim, cá estou, com mais uma das minhas curtinhas, só pra não deixar a peteca cair.

Você me pergunta sobre Bob Dylan, e o que dizer? O cara é gênio. Não sou dos admiradores mais fanáticos, essa coisa de seita sempre me enervou um pouco, mas há fases em que ouço bastante. Tive a oportunidade de vê-lo na inauguração da Arena (não sei se na época já era esse nome, mas hoje HSBC Arena). Vi do camarote, lá da putaqueopariu, um pontinho no palco, mas valeu. Para além das músicas, sempre tem aquela coisa meio indescritível, impalpável, de estar no mesmo recinto que uma lenda da música. Senti isso com o Bacharach, com o Aznavour, com o McCartney... Já te ocorreu isso com alguém?

Aliás, falando em McCartney, partiu Engenhão? Estamos lá de novo. Agora que você já viu, qual é a expectativa para a segunda vez? Quero prestar mais atenção em outras coisas, ter uma noção melhor do show. Numa estreia com McCartney, como foi a minha em São Paulo, é difícil não ficar meio hipnotizado pela figura do beatle e esquecer do resto.

Estou escutando Etienne, do Garage a Trois, que você me apresentou. Não dá pra avaliar por uma música, apenas, mas até agora desceu bem. Tomara que não seja só esta música...

Sobre Clapton, é claro que me animo. E, em praia bem diferente, me animo pra Tears for Fears... Banda que fez minha cabeça quando eu era moleque. E acho que não ficou datada. E tu?

E sobre Billie, vai me dando as suas impressões conforme for escutando coisa nova (ou velha, dependendo do ponto de vista...).

Agora dá licença que eu vou aproveitar o que me resta de folga antes do chicote estalar no novo emprego.

Bração,

Rafa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Farrael,

If I Were a Rich Man é divertidíssima, ótima. Preciso entrar nesse mundo logo, mas confesso que preciso de um empurrãozinho para sair de casa e ir a um musical desses. E são caros, não? E o José Mayer? Vale? Depois que conferir me fale.

Acho que Adele lançou um disco enjoado, esse 21. Mas seu 19, o anterior, é ótimo. Acho que ela é comparada com Amy por vir na leva, mas não vejo muitas conexões, sinceramente. Adele abre mais para o folk, e até um pop melado, embora com conteúdo. É bonitona a gravação dela de Make You Feel My Love, do Dylan. E repito - acho que já disse aqui - que Rolling in the Deep é um dos melhores singles do ano. Bom mesmo, meio country, gospel, soul... Ela tem um vozeirão.

E o Dylan, hein? É um desses casos que ficam piscando em neon na minha frente. Mas um dia chego lá.

Estive com Billie Holiday no fim de semana, te falei, né? Resolvi puxar o disquinho que veio naquela coleção da Folha, não tenho nada além disso. Deixei no repeat, meu amigo, o sábado inteiro. E sábado de sol, deu um contraste. Depois ainda fiquei estacionado em Autumn in New York. Mas falo mais dela depois, com mais intimidade. Quero registrar apenas que ela falou comigo.

Garantido nosso BMW Jazz Festival. Não tem como ficarmos de fora. Sim, acho que vou pirar no Wayne. Tenho ouvido também umas coisas do Joshua e gostado bastante. Especificamente seu disco Wish, de 93, que tem Pat Metheny e Charlie Haden na - humilde - banda. Saca?

Serão dois dias diferentes, despertando reações diferentes, já que no segundo teremos Sharon e Marcus Miller. A primeira com aquela coisa poderosa, aquele soul, como um prêmio para o nosso 2010, onde falamos taaaanto dessa turma. E Marcus Miller, pra mim, tem um lance e te digo o porquê: sou baixista. Assim, já fui muito mais, claro, já tive bandas, estudei o instrumento, aquela coisa. E em um determinado momento da minha vida, quando descobri o MM, eu pirei, fiquei em estado de choque.

O cara virou meu super-herói do baixo. E não bastasse ser um baixista de responsa, ainda tem a coisa da produção, do clarinete-baixo (já viu ele tocando?) e ele ainda canta. Po!, eu só queria um pouco disso pra mim. De um dia para o outro, passei a tocar diferente. Só queria saber de black music, grooves, Earth Wind & Fire, Tutu etc. Abandonei os baixistas de rock progressivo, como o do Yes, por exemplo, e caí nessa turma.

Ah, o Rock in Rio. Sold out em menos de uma semana. O Medina conseguiu, né? Notável que jogou para o público, a molecada e conseguiu. Vendeu tudo, fez bilheteria e pronto. Não vamos falar das atrações, dos dias, de nada disso, para não perdermos tempo. Fraco, fraco. O único dia coerente é o dia do metal, aliás, o Medina tem um bom consultor para o estilo. Sempre teve, desde 85. Ou ele mesmo gosta.

Anima para o Clapton em outubro? Parece que é certo.

Abração,

Ferdinando

ps.: devo a impressão de Maíra, não esqueci.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cara,

Foi mal, prometi não demorar pra responder, mas a última semana foi absolutamente atípica -- obra, mulher viajando, minha mãe no Rio e... mudança de emprego. Mas bola pra frente que o assunto aqui é música. E prometo que esta correspondência será curtinha.

Você me pergunta se eu escuto coisa orquestrada, e a verdade é que muito pouco. Conheço uma coisa ou outra, mas não me dedico, sabe? Minha aproximação com orquestras se dá mais por duas vias: a das big bands de jazz e a dos musicais. Aliás, falando em musical, você deve estar lendo de vez em quando sobre Um Violinista no Telhado, que vai estrear agora em maio aqui no Rio. Montagem de (quem? Quem?) Charles Möeller e Claudio Botelho para espetáculo de Joseph Stein, com músicas de Jerry Bock e Sheldon Harnick. Pra você que se diz um neófito nessa área, taí uma boa porta de entrada. Você já viu o filme? Procure por If I Were a Rich Man no YouTube e divirta-se.

Trocamos uma ou duas mensagens no Twitter sobre Adele, que eu escutei outro dia, mas não me comoveu. Já ouvi comparações com Amy Winehouse, mas qual! Nossa bagaça preferida, nos bons tempos em que ainda não havia se destruído, dá de mil.

Mudando de praia -- mas não muito --, a notícia da semana é a vinda do BMW Jazz Festival para o Rio. Só a nata do line up, Sharon Jones, Marcus Miller, Joshua Redman e Wayne Shorter. Não sei não, mas tenho a impressão de que você vai pirar com Shorter (arrisco a dizer que vai pirar mais do que com Miller). O único "problema" desse braço carioca é que eu dei uma desanimada de ir pra São Paulo...

Ainda falando de festivais, temos aí o Rock in Rio, com esse line up que... Bom, deixo pra você falar primeiro. Eu prometi que esta correspondência seria curtinha.

Abração,

Rafa

PS: E o Hugh Laurie, hein? Não é que o cara manja do riscado?